Amigos, amigos….música a parte

Voltando à normalidade (ou não)…..Smashing Pumpkins – American Gothic

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Mal 2008 começou e já temos bandas lançando material novo. Um desses lançamentos é o novo EP do Smashing Pumpkins, gravado em dezembro de 2007 e lançado dia 1º de janeiro, há poucos dias atrás. “American Gothic”, título da bolachinha, vem com quatro músicas, sobras de estúdio e composições que não entraram em “Zeitgeist”, último álbum da empreitada de Billy Corgan.

Apesar do nome sombrio, esse disco não tem nada de gótico, pelo contrário, são músicas acústicas que nos remetem aos velhos e bons tempos de Smashing Pumpkins, de álbuns como “Siamese Dream” e “Mellon Collie and Infinite Sadness”. Das quatro, apenas “Pox” tem a levada do último álbum, com a diferença de ser uma canção que tem como base um violão, comparativamente leve em relação ao peso excessivo de “Zeitgeist”.  “Rose March”, que abre o EP, é uma baladinha aos moldes da época gloriosa e prolífica dos Pumpkins, “Again, Again, Again (The Crux)” poderia caber perfeitamente no álbum “Adore” e os cinco minutos e pouco de “Sunkissed” nos mostra que o carequinha egocêntrico “não perdeu a mão” e ainda tem traços de genialidade em composições.

Acompanhado somente de Jimmy Chamberlin, remanescente do antigo Smashing Pumpkins, na bateria (que também é um dos produtores do EP), Corgan gravou todas as sessões de guitarras, baixos, violões e teclados de “American Gothic”, assinando também como co-produtor. Roy Thomas Barker, que produziu “Zeitgeist”, participou também da confecção do disco. E esse EPzinho será comercializado somente na forma digital, pelo site de músicas iTunes (http://www.apple.com/itunes/) e no próprio site dos S.M está disponibilizado também a arte gráfica do disco (http://www.smashingpumpkins.com).

Se muita gente torceu o nariz ao ouvir “Zeitgeist” e achou o álbum de extremo mau-gosto, não parecendo nada com o que Billy Corgan e os Pumpkins costumavam fazer, talvez com a audição de “American Gothic” esse sentimento de fã traído possa esmaecer. Podemos dizer que com isso, o ano de 2008 começou muito bem

janeiro 24, 2008 Posted by | Uncategorized | , , | 1 Comentário

I don’t believe him! He’s a liar!

Até que alguém me prove o contrário, ainda acho a maior picaretagem do mundo a “volta” dos Pumpkins. Sempre achei, desde o anúncio do “dito retorno” pelo próprio Billy Corgan. Escutei “Tarantula” (o single com a Paris Hilton na capa) e comprovei, ISSO NÃO
É SMASHING PUMPKINS!!! Desisti de ouvir o disco “Zeitgeist” pela música de trabalho…talvez eu ouça…só pra corroborar minhas teorias.

Vão, podem falar que sou indie, saudosista, o que for. Mas nada me faz tirar da cabeça que essa volta dos S.M. foi mais uma jogada de marketing arquitetada pelo senhor fanfarrão Corgan, aproveitando a onda “revival” que assola o mundo musical de hoje (ATÉ O ZEPPELIN VOLTOU!!), pra alcançar verdadeiramente as portas do sucesso, já que da primeira vez o Nirvana roubou a cena como “hype”, da segunda Christina Aguilera vendeu mais discos que os Pumpkins, e da terceira o New Metal sugou as chances egocêntricas de Corgan emplacar.

E outra…volta do Smashing Pumpkins só com vocalista e baterista como membros originais?!? Se a D’arcy e o Iha nao conversam mais com Corgan e não querem mais tocar com ele, não seria melhor, menos embaraçoso e mais discreto deixar o ego de lado (swallow the pride) e dizer: “Ok, vamos conversar, eu me desculpo (oh ingenuidade), e se vcs não querem reviver a banda, então os Pumpkins estão enterrados com pá de cal, só vou chamar meu chapa Chamberlain e montar outro projeto”. Seria menos vergonhoso pra todo mundo (principalmente para os fãs) se ele, Corgan Todo-Poderoso, deixasse de dar “murro em faca de ponta”, fizesse análise freudiana pra resolver seus conflitos internos e livrá-lo definitivamente dessa megalomania paranóica de querer atingir as massas. A volta dos Pumpkins é claramente a última tentativa dele, Corgan, de ser aclamado. A questão é: OU VOLTA COM TODOS OS MEMBROS ORIGINAIS OU DEIXA DE LADO. Chame de outra coisa que não seja Smashing Pumpkins, não maculem o nome, please.

É uma enganação das maiores você retornar uma banda emblemática como os Pumpkins, sem dois principais membros colaboradores do trabalho, fazendo um estilo de som que definitivamente não é a cara do grupo (produtor do The Darkness?!?), e ainda vender esse produto com a maior badalação e marketing possível. Será que eles pensam que o pessoal é tão trouxa assim?!? Às vezes eu acho que eles subestimam a capacidade de raciocínio com razão. O que dizer de um cara que não suporta heavy metal, “gostar” dos riffs pesadíssimos de “Tarantula”?!? Mas, pelo menos eu tenho um pouco de massa cerebral pra definir isso tudo com uma ludibriação das melhores

O maior fiasco do ano é todo mundo acreditar (fã, jornalista, produtor, descolado de plantão) e badalar essa balela que é o retorno da banda. No mais é “meia volta, volver”!

“Out on tour with Smashing Pumpkins
Nature kids
I/they don’t have no function I dont understand a word they say
And I could really give a fuck”

Pavement – “Range Life”

novembro 23, 2007 Posted by | Uncategorized | , , | Deixe um comentário

Estado de torpor

E sabem o que é pior? É que todo mundo vê o que acontece, mas fecha os olhos diante da realidade. Ou o roqueiro goiano é muito tapado, ou sabe do que está acontecendo e não quer saber, ou simplesmente é subserviente porque é amigo de tal pessoa importante da “imprensa cultural” e de banda da cidade, e não quer ficar “de mal” com essa gente. Aí, temos um caso sério de “boa decência”, em que os críticos e reclamões são constantemente rechaçados pela maioria burra, pelo fato de expôr uma outra realidade frente a verdade absoluta que é o movimento rock goiano. E quando falo reclamar, não é querer ser chato, mas dar uma luz à tudo ao redor, e quando falo criticar, não é simplesmente falar mal pelos cotovelos, e sim fazer o povo refletir, fazer auto-crítica.

Aliás, o rock goiano passa por uma fase boa, mas que na verdade é bem maquiada por algumas pessoas que detém o poder. E quando eu falo “detém o poder”, são os organizadores, produtores, bandas, jornalistas e blogueiros que obtém a informação, mas repassa ao público de maneira torta, e aí muita gente acredita nessas coisas, mas que não passam de balelas superficiais. Chegamos numa época em que uma banda para se tornar “famosa” na cidade, precisa se humilhar publicamente na frente de donos de selos por um espaço num festival ou um cd gravado, ou precisa fazer “os contatos” certos e se tornar amiguinho da imprensa cultural local pra se fazer importante. Bom, se antigamente bastaria um grupo musical tocar e o público aprovar, pronto, taí o tal “sucesso”….hoje não basta isso, tem que fazer marketing pessoal, marketing da banda, além de entregar a demo, babar o ovo de quem merece ou não merece, pelo fato de você não admirar a pessoa em questão, mas é que fazendo isso, você está com a faca e o queijo na mão em questão de contatos. Ninguém monta mais banda pelo simples prazer de tocar, fazer música e fazer shows por aí, todo mundo agora monta banda porque “tá na moda”, e “se eu fizer esse tipo de som tal selo importante da cidade irá me contratar” e outras pequenices mais.

Então, querem um exemplo de pequenice. Uns caras montam um projeto electro-rock, “bombam” em Goiânia, gravam um cd por um selo goiano, ficam um ano fazendo shows nos palcos locais, tocam nos principais festivais da cidade, e recebem elogios rasgados da crítica e começam a fazer shows fora do estado natal, com seu som um pouco “datado”, mas “dançante” e hype (porque todo mundo fala que gosta), e pouco importa se é um som chupado de um dj famoso das gringas, ninguém percebe a picaretagem mesmo…..Só que um ano e meio depois, o grupo se separa, alegam divergências musicas (mas na verdade alguém comeu a namorada de alguém), e que não dá pra continuar desse jeito. Ou a banda tem um pensamento medíocre de “estourar” só na região natal, ou é um caso de burrice musical e falta de criatividade. Na maioria das vezes é a primeira opção, e a gente daqui de Goiânia, vemos muitas bandas assim, medíocres só por deturparem o “sentimento de montar uma banda por gostar de música”, e se querem e podem tocar no RS, SP, RJ, Curitiba e Salvador, porque não vão? Não me digam que é por falta de contato e falta de grana, que não cola. Interessante que essas bandas só ficam no rodízio de intercâmbio de produtores locais e de outros estados, no estilo “eu levo uma banda pro seu estado, que você traz uma banda pra cá”. Pôrra gente, pensem grande (Alckmin style).

Aliás, essa onda nova agora, além do eixo SP-RJ, de intercâmbio de bandas de estados diferentes como PA, BA, RR, AM, MT, dentre outros, tem dois lados da moeda. Por  um lado é bom porque dá oportunidade a várias bandas legais, que não teriam outra oportunidade a não ser essa, de viajar e tocar pra público diferente em festival. O lado ruim é que daqui a pouco a tendência é ser “outro eixo do mal”(se já não tá virando), uma dicotomia perigosa, em que as bandas são as mesmas, os estilos musicais são os mesmos, as mesmas pessoas. E muita gente boa do Rio ou São Paulo fica de fora, pelo fato de serem paulistas e cariocas, e o pensamento é de que eles não precisam de oportunidades dos produtores da instituição nacional (menos RJ-SP), já que estão no meio certo pra se deslancharem….e bandas de estilos que não sejam stoner, electro ou powerpop, podem ser relegadas a segundo plano, porque não são o novo “Daniel Belleza e os Corações em Fúria”, ou fazem um som muito estranho pro público aceitar, não têm o apelo “pop”. Essas instituições estão se tornando “mainstream”, e o que é pior, pregando a bandeira independente. E quando falo “mainstream”, é na sua forma mais cruel, onde interesses escusos são mais fortes que o tesão pela música, e que as bandas estão em segundo plano, seguindo a ideologia “a gente precisa de gravadora ou produtora de shows”, quando na verdade é justamente o contrário, são as gravadoras e produtoras que precisam das bandas, mas o grau de subversiência não permite a analogia crítica, e se têm a crítica, é melhor não falar, porque corre o risco de quebrar a cara no meio. Cara, estamos no século XXI, era digital, do mp3, do myspace, orkut, fotolog e tramavirtual….será que ainda precisamos da velha fórmula e relação “gravadora-banda”, mesmo sendo gravadora independente? A Calypso está aí pra mostrar que se pode fazer música de forma totalmente independente e ainda ganhar dinheiro, e no meio rock, existem várias bandas por aí que não necessitam de gravadora (Fresno te diz alguma coisa?). O rock independente pode se dar bem, sem se tornar “mainstream” na sua mais vil forma, a da manipulação.

Será que é tão difícil enxergar essas coisas? Ou a galera está em um grau de êxtase ou torpor, que impossibilita de enxergar a real de tudo isso, ou será que as pessoas estão com medo de criticar? Será que tem que existir algum blogueiro, jornalista, colunista ou alguém de bom-senso pra polemizar a parada na internet e dar uma acordada geral no pessoal com um tapa na cara? Será que ninguém sabe o que é auto-crítica, e principalmente, a auto crítica da cena roqueira independente goiana? Será que ainda terei que ler bobagens escritas no orkut, do tipo “fiasco é pra quem não sabe aproveitar”? Será que ainda aguentarei acessos de egocentrismo e megalomania de certas pessoas aqui em Goiânia Rock City?

Na verdade, acho que a maioria das pessoas são burras, porque querem, e  é mais cômodo.

outubro 31, 2007 Posted by | Uncategorized | 3 Comentários

a dança do salmão

Os Chemical Brothers acabam de lançar seu novo disco, chamado “We Are The Night”, e o segundo single deles se chama “The Salmon Dance”, um big beat com o rapperFatlip nos vocais. O clipe é um dos mais legais que já vi nos últimos tempos, e a música, boa como só os “irmãos químicos” sabem fazer. Dêem uma sacada aí:

setembro 27, 2007 Posted by | Uncategorized | , | 2 Comentários

They don’t exist

Uma das piores coisas que se podem acontecer com uma banda é um jornalista ou um blogueiro não citá-la em um artigo ou post, principalmente quando se é um festival e a própria fecha a noite. tudo bem que o referido foi embora mais cedo e não viu a banda, tava com preguiça e não quis assistir, ou a banda é “desconhecida”, não faz parte de gravadora e não é “amiguinha” do cara que escreveu a resenha, ou não faz o tipo de som que agrada…… foda-se, mas pelo menos alguma linha, falando bem ou mal, teria que ser escrita.

Imagina, cinco grupos musicais tocam numa noite, o blogueiro escreve sobre quatro, e “esquece” a última….não é “ranço”, ou despeito, ou inveja, ou se achar demais…porra…..alguma coisa tá errada aí. Ainda mais quando é um cara de respeito na cena musical, tem banda, escreve em revista importante, faz programa de rádio e o escambau, e simplesmente não fala nada a respeito da última banda que toca numa quinta-feira a uma hora da manhã e que faz um som post-rock único em Goiânia. Qual que é o problema? O que há de errado com o resenhista? O que há de errado com a banda? Ele não gosta do som? A banda não é “amiga” dele? A banda não faz parte da cena roqueira goiana? A banda não é de gravadora independente? Será que os caras da banda são tão insignificantes assim que não merecem nem uma linha na “resenha” do tal blogueiro?

É…tantas perguntas e respostas as quais não cabe escrever aqui, porque uma pessoa com um mínimo de inteligência e frequentadora da cena rocker goiana sabe a verdade…né não?

E a banda referida continua a seguir o seu ritmo, sem pagar pau pra caras de gravadora independente, ser amiguinha de resenhistas e blogueiro, e metendo o dedo na ferida de certas pessoas e movimentos.

/ao som de Lambhcop “Crackers”

setembro 24, 2007 Posted by | Uncategorized | | 2 Comentários

É nórdico, é pop, tem vocalista loirinha, tem cara barbado……

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Mas não….não é o Cardigans. Você pode até confundir ao ver os vídeos da banda, e as coincidências vão até certo ponto, porque a banda acima é de Helsinki, Finlândia, e tem o curioso nome de Husky Rescue, bem apropriado pra quem mora naquelas bandas geladíssimas. Eles formaram o grupo em 2002, têm dois discos na bagagem: Country Falls (2004) e “Ghost is not Real”, lançado esse ano por um gravadora independente, a Catskills Records. O Husky Rescue faz um pop gostosinho bem parecido com o Cardigans (de novo?!), com grandes influências de um estilo musical que o pessoal ocasionou chamar de Ambient, muitas vezes classificados também como Downtempo, embora a banda não utilize muitos recursos eletrônicos, mas criam o ambiente com sintetizadores, guitarra, baixo e bateria, tudo analógico, além da doce voz da vocalista Reeta-Leena Korhola.

Você, leitor, já deve ter visto um clipe nas madrugadas da emetevê, gravado toscamente em VHS, com uma bandinha tocando em um campo aberto, com um monte de adolescentes dançando até o amanhecer, e eve ter se perguntado: “ué, o Cardigans (outra vez?!?!?) voltou a fazer musiquinhas pop fofinhas?”…..não meu caro, você viu o clipe de Nightless Night, terceiro single do segundo disco deles, Ghost is not Real.

Em tempos de dancinhas ridículas em frente a TV, esse clipe é bastante interessante e diferente, em questões técnicas e de roteiro. A banda ainda tem mais três ou quatro videoclipes a disposição….só procurar no You Tube, mas o clipe que mais chama atenção é o referido acima. Se você não tem saco pra youtube, googlevids ou outros, pode ligar a televisão de madrugada, que sempre passa na programação da Music (?!?) Televison brasileira….imagina, você tem insônia, vê o clipe, dança as coreografias, cansa e depois vai dormir…..taí uma ótima dica.

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Mas falando do álbum que contém Nightless Night. Como eu já disse, ele foi lançado por uma gravadora independente, no início desse ano de 2007, e conta com dez músicas. Ghost is not Real é um álbum bastante gostoso de se ouvir, com canções bem-feitas, com um certo ar de “viagem musical”, muito por conta das ambientações organizadas pelos instrumentistas, mas a vocalista manda muito bem, com um voz doce e bem-postada, bem ao modo de Nina Persson e Isobel Campbell. Vale a pena escutar, mesmo que você ache que é um resquício de uma banda sueca famosa, mesmo que você ache que grandes vocalistas atuais são Regina Spektor, Amy Winehouse e Feist…..além do que um pouco de doçura não faz mal a ninguém.

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link do álbum “Ghost is Not Real”

/ao som de Black Francis“Lolita”

agosto 26, 2007 Posted by | Cardigans, Feist, Husky Rescue, Nightless Night, Uncategorized | 1 Comentário

O belo, o sujo e o personagem de Camus no cerradão goiano

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“Limpeza e destruição. Construção, bomba e sujeira. Esgotos de pelúcia avec sucos de lata. Rapaduras de lixo, menta, credo-em-cruz e muita abelha. Losma por toda parte, até nas caveiras de cristo espalhadas pelo hotel. Pedaços-de-madeira-empunhados-por-homens não nos devem comover mais. Poesia barata, poesia rato, arte abstrata, artesanato também não. No futuro, não estaremos mais aqui com a madeira, porque banda só faz sujeira e deixa cagar.”

É assim que a banda Mersault e a Máquina de Escrever se resume no “about” do no myspace deles, mas ao meu ver, eles são muito mais do que isso. Formado nos idos de 2000, com uma proposta diferente das bandas vigentes no cenário underground goianiense (hard rock, garagem, punk, hardcore e metal), a “Mersault….” sempre se manteve como uma banda obscura, mesmo caindo no gosto dos “cults” (e/ou pseudo-cults) da capital goiana, mesmo fazendo shows marcantes e participando dos festivais importantes da cidade. E mesmo com o cenário atual inundado de bandinhas de hard-rock, stoner e garage rock(porque é isso que faz sucesso aqui), a “Mersault e a Máquina de Escrever” continua com seu estilo único e desenfreado, vivendo e sobrevivendo graças à originalidade e espontaneidade de seus integrantes e de sua música.

 Mas o que faz essa banda diferente das outras?

Simplesmente porque a proposta desses caras vai além da música. Cinema, arte, literatura, televisão, personagens bregas, cults e intelectuais fazem parte da idéia da banda. O próprio nome é derivado do personagem principal de O Estrangeiro, romance do escritor e filósofo Albert Camus. Alia-se isso à composições que mostram o lado surreal, sujo e boquirroto da humanidade entremeadas com melodias simples, belas e bem construídas. Muita gente já comparou a banda com Los Hermanos, mas “Mersault..” vai além das guitarras “clean” dos barbudos, é mais ácido, é mais paradoxal, é uma confusão proposital, que faz o ouvinte se encantar com as harmonias, mas fazer uma careta pra verdade esquizóide das letras.

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Sem “macaquices”, nem entretenimento público, muito menos faces pintadas e “showmen”….apenas alguns elementos culturais postos no palco e a MÚSICA, faz com que você se apaixone ou odeie a banda, puramente por causa da simplicidade e te garanto que inerte ou a parte você não ficará quando ouvir ou ver o show.

A Mersault… não é daquelas bandas que ficarão pra “história mainstream”, ela sempre se manterá underground e obscura, justamente por fazer um som que a maioria incompreende. Só depois de uns dez ou vinte anos, alguém pegará uma mp3 deles, colocará no Ipod, ouvirá e dizer “CARALHO”, e aí irá montar uma banda de garagem. E se essa banda fizer sucesso, o cara que ouviu uma música da Mersault, irá colocar como influência…e só aí que prestarão atenção no som antigo, mas não datado do grupo. Isso aconteceu com várias bandas por aí e sempre acontecerá. Enquanto isso não acontece, viva a obscuridade goiana, Mersault e a Máquina de Escrever.

http://rapidshare.com/files/46459391/Mersault_e_a_M_quina_de_Escrever.rar

No link acima você encontrará algumas músicas desse quinteto, que atualmente é um quarteto. Lançaram um cd “full” pelo selo goiano Two Beers or not Two Beers, chamado “Quinta”, desse disco, selecionei Robô, Joaquina, Domus não é Whisky, Carol Largada, Pão-de-Ló, Cowboy de Drogaria e Doce de Cavalo. Recentemente, eles vieram com um EP, chamado “Ladrão de Brinquedos”, que contém quatro músicas: Ladrão de Brinquedos, Prostituto, Robot Meu Amor e Joaquina (essas duas últimas, regravações).

Aproveitem

agosto 2, 2007 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

Cartola, a delicadeza visceral

Cartola 1974

Essa é a capa do primeiro LP gravado por Angenor de Oliveira, mais conhecido como Cartola (1908-1980). Na época que ele gravou o disco homôniomo, já contava então com 65 anos de idade, isso nos idos de 1974, sendo produzido e lançado por Marcus Pereira, pelo seu selo de mesmo nome. São 12 belíssimas canções, que destila o melhor da sua composição. A partir desse disco ele ficou mais conhecido do que além de um ótimo compositor de grandes sambas, foi alçado a um dos mestres da MPB, reconhecimento deveras taradio, já que ele compunha e cantava desde os anos 20 para artistas da música popular carioca, e suas músicas sempre fizeram sucesso nas vozes dos grandes cantores e sambistas da época de ouro do samba.

Separei um parágrafo de uma crônica do Drummond feita sobre o morador ilustre da Mangueira:

A delicadeza visceral de Angenor de Oliveira (e não Agenor, como dizem os descuidados) é patente quer na composição, quer na execução. Como bem me observou Jota Efegê, seu padrinho de casamento, trata-se de um distinto senhor emoldurado pelo Morro da Mangueira. A imagem do malandro não coincide com a sua. A dura experiência de viver como pedreiro, tipógrafo e lavador de carros, desconhecido e trazendo consigo o dom musical, a centelha, não o afetou, não fez dele um homem ácido e revoltado. A fama chegou até sua porta sem ser procurada. O discreto Cartola recebeu-a com cortesia. Os dois convivem civilizadamente. Ele tem a elegância moral de Pixinguinha, outro a quem a natureza privilegiou com a sensibilidade criativa, e que também soube ser mestre de delicadeza.”

clique aqui para ler a crônica inteira

Esse primeiro disco do Cartola, de 74, contém grandes clássicos como Autonomia, Acontece, O Sol Nascerá e Corra e Olha o Céu. Confira abaixo a relação das músicas, e o link do rapidshare para o download completo do álbum.

1.Disfarça e Chora – (Cartola / Dalmo Casteli)
2.Sim – (Cartola / Oswaldo Martins)
3.Corra e Olhe o Céu – (Cartola / Dalmo Casteli)
4.Acontece – (Cartola)
5.Tive Sim – (Cartola)
6.O Sol Nascerá – (Cartola / EltonMedeiros)
7.Alvorada – (Cartola / Carlos Cachaça /
Hermínio Bello)
8.Festa da Vinda – (Cartola / Nuno Veloso)
9.Quem Me Vê Sorrindo – (Cartola / Carlos
Cachaça)
10.Amor Proibido – (Cartola)
11.Ordenes e Farei – (Cartola / Aluizio Dias)
12.Alegria – (Cartola)

clique aqui para baixar o álbum completo

julho 29, 2007 Posted by | Uncategorized | 2 Comentários

My new home

Sim sim, ele voltou!!

 Cansado um pouco de fotologues e com saudade de colocar coisas legais sobre música e afins, decidi criar outro blogue. O Notas Vagas continua parado por tempo indeterminado, onde colocarei alguns texto quando eu tiver vontade….por agora essa será minha nova casa……aproveitem.

 Pra começar bem e de vez esse blogue, coloco o link da banda mais legal de Dayton, Ohio. Um show do Guided by Voices gravado em audio na cidade de Austin, no Texas, em 2001, na turnê do disco “Isollation Drills”. Vocês podem fazer o download separado de cada música ou do show inteiro nos arquivos zipados em duas partes, no link abaixo:

guided_by_voices_gig_poster_010617_large.jpg

http://www.gbvdb.com/album.asp?albumid=1263

 Enjoy!

julho 27, 2007 Posted by | Uncategorized | 1 Comentário