Amigos, amigos….música a parte

Goiânia Noise Festival divulga primeiras atrações

Dizem que 13 é um número que dá azar. Será? No caso do Goiânia Noise Festival, certamente é um número mágico. Afinal de contas essa é provavelmente a edição mais sensacional do evento até hoje. Com exclusividade para a TramaVirtual, a equipe do Noise cedeu alguns dos nomes que se apresentarão no festival.

O primeiro deles é o Battles, grupo norte-americano de math rock que lançou esse ano o ótimo Mirrored, seu primeiro trabalho oficial. A apresentação da banda deve deixar todo mundo boquiaberto, já que o quarteto faz um som poderoso o qual não dá pra ficar indiferente. The Legendary Tigerman, projeto-de-um-homem-só do português Paulo Furtado, já tocou no Abril Pro Rock em 2005 e agora volta ao Brasil para mostrar que apenas um sujeito é suficiente pra fazer boa música.

Outro nome que marcará presença na 13ª do Goiânia Noise é o duo chileno Perrosky, com seu folk de garagem que foi sucesso na última Bafim, a Feira Internacional da Música de Buenos Aires, na Argentina. Dos Estados Unidos vem a banda The DTs, que mescla rock dos anos 70 com música negra. Certamente não decepcionará as adeptos da jaqueta de couro.

Dono de ótimas composições pop, o argertino Sebastian Rubin chega ao Brasil para provar que nem só de rock vive seu país. Ele lançou em 2007 o disco Esperando el Fim Del Mundo e desembarca por aqui com sua banda, Los Subtitulados.

Mas os roqueiros de plantão podem ficar tranqüilos: os uruguaios do Motosierra também tocarão no Noise desse ano. O quarteto, que costuma se apresentar bastante no sudeste do país, se apresenta pela primeira vez em Goiânia. Fechando essa lista inicial de 10 nomes estão os ótimos MQN, Mechanics, Ecos Falsos e Mundo Livre S/A.

Serviço

13º Goiânia Noise Festival
23 a 25 de novembro

Para mais informações acesse: www.goianianoisefestival.com.br

Retirado do Tramavirtual (http://www.tramavirtual.com.br)

setembro 17, 2007 Posted by | Goiânia Noise, math rock, Mundo Livre S/A, The Battles, The DT's | 1 Comentário

Shellac – “Excellent Italian Greyhound”

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Para quem acha que The Battles ou o Debate são as novas sensações do momento do mundo indie, quero introduzir uma banda que faz o bom e velho math rock desde 1992, o Shellac .Formado por nada mais nada menos que Steve Albini (isso mesmo….produziu o famoso e polêmico In Utero do Nirvana, além de clássicos do alternativo americano como Surfer Rosa dos Pixies), mais o baixista Bob Weston e o baterista Todd Trainer. Debutaram com um álbum “full” em 94, participaram de várias compilações e alguns EP’s, mas ficaram “famosos” mesmo com o fantástico álbum 1000 Hurts, lançado em 2000. Tiveram um hiato de sete anos, até lançarem o quarto disco, do título acima, lançado pela gravadora independente Touch and Go Records, famosa pelo catálogo de bandas do naipe de Man or Astroman, Jesus Lizard, Calexico, Blonde Redhead e os “hypes” Yeah Yeah Yeahs, CocoRosie e TV on the Radio.

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“Excellent Italian Greygound” segue a mesma linha dos álbuns anteriores, um rock diferente, estranho, simples e complicado, algumas vezes melodioso, outras vezes mais pesado que o ar, cantado (falado) de uma maneira totalmente demente (proposital), com linhas de guitarra e baixo que beira à hipnose, sem seguir a famoso famoso versus/chorus/versus. Músicas longas de oito minutos com spoken words (“The End of Radio“), peso e rapidez (“Boycott“), demência burra e brutal com tiques (“Be Prepared“), músicas pop de gosto fácil mas nem por menos geniais (“Spoke“), além de uma alfinetada no “hype” (“Steady as She Goes“) fazem parte desse fenomenal disco, e vemos que sete anos não tiraram a criatividade e não criou ferrugem nas mãos dâ banda. Um disco pra ser apreciado, e digo que já figura na minha lista de melhores álbum do ano.

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Entre nesse link para baixar o álbum inteiro

/ao som de Patife Band“Chapéuzinho Vermelho”

setembro 3, 2007 Posted by | Debate, math rock, Shellac, Steve Albini, The Battles | 1 Comentário

E viva a demência musical!

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Nesses tempos de bandas “revival” dos anos 70 e 80, grupos que prezam a batida eletrônica com letras em inglês, misturado com um rock de fácil digestão, é sempre um prazer ver caras tocando aquilo que quer, fazendo uma música diferente, com uma orginalidade absurda, sem se importar com rótulos e sucesso “underground” e radiofônico. Seria muito fácil montar uma banda de “stoner rock” ou “emocore” (porque é isso que faz a cabeça das pessoas) pré-fabricada…mas e a sinceridade….onde fica? Então quando eu vejo bandas com um som diferente do comum, eu me emociono.

E foi com essa emoção que eu assisti dois shows ontem no primeiro dia do Festival Vaca Amarela, dois grupos com tamanha demência, mas ao mesmo tempo genial na arte de fazer música. O primeiro é o Trilobit, quarteto paranaense, que faz um som instrumental calcado no funk, surf music e rock básico, com um adicional, um dj que insere maluquices ao som, falas e barulhos bizarros. A influência de Man or Astroman é clara, com alusões a ficção científica e filmes de terror B, além de usarem macacões no palco, lanternas na cabeça (daquelas que mineiros e quem vai em cavernas usam) e nomes bizarros, inclusive o baixista veste uma fantasia de gorila no palco. Mas o Trilobit vai mais além dessa estética marciana, e faz um som bastante dançante, divertido e interessante, que vai além dos rótulos de electro-rock, tão em voga nos dias de hoje.

Fiquei boquiaberto também com o Satanique Samba Trio, a segunda banda dessa resenha. Esse foi o segundo show desse grupo de Brasília que eu vejo, e nas duas vezes eu fiquei estupefato. Formado em 2004 e com dois discos na bagagem, o Satanique é uma daquelas bandas que fazem dar um nó na sua cabeça, com um som muito diferente do usual. Pegando o samba como mote e desconstruindo-o totalmente de forma desconcertante, esse grupo conta com um guitarrista, um baixista, um baterista ao estilo dos grandes do jazz, um cara no cavaquinho com um pé na distorção (literalmente) e outro nos instrumentos de sopro (sax e clarineta). O samba é a inspiração, mas Karlheinz Stockhausen, Vanguarda Paulista, Hermeto Pascoal, o jazz, a música minimalista do século XX e a composição atonal são as referências para fazer uma música demente, “burra” e hipnótica desse grupo candango.

É por essa e outras bandas que eu ainda acredito na música e nos festivais, onde a gente muita coisa que pode se jogar fora, mas uma ou outra você abraça com veemência.

E VIVA A DEMÊNCIA MUSICAL!

ao som de Cartola Grande Deus

setembro 1, 2007 Posted by | math rock, Satanique Samba Trio, Trilobit | 2 Comentários

As contradições do “mundo indie”

Tá certo que “gosto é que nem cu, cada um tem o seu”. É bem verdade também que podemos gostar de uma sonoridade e não gostar de outra. OK OK, dentro de um estilo temos nossa banda preferida e aquela que é uma “bosta”, mas o que eu vejo por aí, de pessoas falando, escrevendo e comentando me deixa com “a pulga atrás da orelha”.

Existem três tipos de roqueiros: os que veneram o post-rock, mas não sabem porra nenhuma de nada; tem aqueles que gostam, adoram post-rock e sabem muito bem do que estão falando e tem aquelas que odeiam post-rock. Bem, a última categoria é aceitável, mas gostar gostar de uma banda e desgostar de outra que praticamente faz um determinado tipo de som é inaceitável, no mínimo digno de repreensão. Essas incongruências paradoxais que me irritam.

Então, Mogwai é chato “pra caralho”, mas Fóssil (banda cearense que emula..ops…é influenciada pelos escoceses) é “legal demais”. Se os caras do Fóssil não forem influenciados pelos “pedantes” do  Godspeed You! Black Emperor, ou melhor, se um dos cearenses não gostarem da referida banda ou pelo menos desconhecerem a existência da mesma, eu paro de escrever sobre música nesse blog. Não tenho nada contra os caras do Fóssil, gostei muito da apresentação deles no Goiânia Noise Festival, o que me deixa “virado” são pessoas não gostarem de Mogwai e gostarem de Fóssil, onde uma é mãe da outra.

Da mesma forma é achar o máximo o “math rock”, parece que essa é a nova ondinha dos hypes goianos que descobriram que existe rock instrumental (não do tipo “firulas” de guitarristas e bateristas) e sai pelos quatro cantos entoando mantras sobre The Battles (banda do ex-Helmet John Stainer) e a sensação do último Noise, a banda Debate (relações com os nomes dos grupos não deve ser mera coincidência). Diga-se de passagem, que a “novo estilo-sensação” é mais antigo que muito roqueirinho alimentado com todinho.

Dizer que uma certa banda goiana “emula bem primitvamente” coisas chatas como bandas canadenses e escocesas de post-rock, é desconhecer a trajetória de uma banda que faz um estilo único aqui, nessa Goiânia “Rock” City. Ver um único show do referido grupo (que na verdade foi uma bosta mesmo) e já tirar uma conclusão constituída de duas linhas de frase, com o intuito de denegrir (que é um elogio, de fato) é desconhecer o cenário independente goiano, e mais ainda, desconhecer o cenário independente americano e europeu.

Não entrarei no mérito da questão dos motivos de gostar de uma banda e desgostar de outra de estilos idênticos, mas pra mim, isso é burrice musical. E se achouo “math rock” legal, vai estudar um pouco, ler, saber das coisas….a Wikipedia existe pra isso, não custa nada pesquisar antes de dizer aguma coisa. Eu entendo que os seres humanos são paradoxais, até eu, mas tem coisas que ficam muito na cara, nem pra disfarçar um pouco.

Vão ouvir Hurtmold, Explosions in the Sky, Objeto Amarelo, Shellac, Pele, Polvo, Dianogah, Toe, Tortoise, Pelican, Kinski e tantas outras bandas nacionais e internacionais. Estudem o que é minimalismo, avant-garde, krautrock e Vanguarda Paulista. Tentem saber quem pelo menos é e foi Steve Reich, Stockhausen e John Cage, não façam feiúra, “pelamordedeus”. Tá em tempo né…porque vem aí um dos expoentes da Vanguarda Paulista e um dos grupos seminais do celebrado “math rock”, a Patife Band.

agosto 11, 2007 Posted by | fóssil, Godspeed You! Black Emperor, math rock | Deixe um comentário