Amigos, amigos….música a parte

As contradições do “mundo indie”

Tá certo que “gosto é que nem cu, cada um tem o seu”. É bem verdade também que podemos gostar de uma sonoridade e não gostar de outra. OK OK, dentro de um estilo temos nossa banda preferida e aquela que é uma “bosta”, mas o que eu vejo por aí, de pessoas falando, escrevendo e comentando me deixa com “a pulga atrás da orelha”.

Existem três tipos de roqueiros: os que veneram o post-rock, mas não sabem porra nenhuma de nada; tem aqueles que gostam, adoram post-rock e sabem muito bem do que estão falando e tem aquelas que odeiam post-rock. Bem, a última categoria é aceitável, mas gostar gostar de uma banda e desgostar de outra que praticamente faz um determinado tipo de som é inaceitável, no mínimo digno de repreensão. Essas incongruências paradoxais que me irritam.

Então, Mogwai é chato “pra caralho”, mas Fóssil (banda cearense que emula..ops…é influenciada pelos escoceses) é “legal demais”. Se os caras do Fóssil não forem influenciados pelos “pedantes” do  Godspeed You! Black Emperor, ou melhor, se um dos cearenses não gostarem da referida banda ou pelo menos desconhecerem a existência da mesma, eu paro de escrever sobre música nesse blog. Não tenho nada contra os caras do Fóssil, gostei muito da apresentação deles no Goiânia Noise Festival, o que me deixa “virado” são pessoas não gostarem de Mogwai e gostarem de Fóssil, onde uma é mãe da outra.

Da mesma forma é achar o máximo o “math rock”, parece que essa é a nova ondinha dos hypes goianos que descobriram que existe rock instrumental (não do tipo “firulas” de guitarristas e bateristas) e sai pelos quatro cantos entoando mantras sobre The Battles (banda do ex-Helmet John Stainer) e a sensação do último Noise, a banda Debate (relações com os nomes dos grupos não deve ser mera coincidência). Diga-se de passagem, que a “novo estilo-sensação” é mais antigo que muito roqueirinho alimentado com todinho.

Dizer que uma certa banda goiana “emula bem primitvamente” coisas chatas como bandas canadenses e escocesas de post-rock, é desconhecer a trajetória de uma banda que faz um estilo único aqui, nessa Goiânia “Rock” City. Ver um único show do referido grupo (que na verdade foi uma bosta mesmo) e já tirar uma conclusão constituída de duas linhas de frase, com o intuito de denegrir (que é um elogio, de fato) é desconhecer o cenário independente goiano, e mais ainda, desconhecer o cenário independente americano e europeu.

Não entrarei no mérito da questão dos motivos de gostar de uma banda e desgostar de outra de estilos idênticos, mas pra mim, isso é burrice musical. E se achouo “math rock” legal, vai estudar um pouco, ler, saber das coisas….a Wikipedia existe pra isso, não custa nada pesquisar antes de dizer aguma coisa. Eu entendo que os seres humanos são paradoxais, até eu, mas tem coisas que ficam muito na cara, nem pra disfarçar um pouco.

Vão ouvir Hurtmold, Explosions in the Sky, Objeto Amarelo, Shellac, Pele, Polvo, Dianogah, Toe, Tortoise, Pelican, Kinski e tantas outras bandas nacionais e internacionais. Estudem o que é minimalismo, avant-garde, krautrock e Vanguarda Paulista. Tentem saber quem pelo menos é e foi Steve Reich, Stockhausen e John Cage, não façam feiúra, “pelamordedeus”. Tá em tempo né…porque vem aí um dos expoentes da Vanguarda Paulista e um dos grupos seminais do celebrado “math rock”, a Patife Band.

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agosto 11, 2007 Posted by | fóssil, Godspeed You! Black Emperor, math rock | Deixe um comentário

Que Deus te abençoe, Imperador Negro (da chatice?)

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 O Godspeed You! Black Emperor é uma banda canadense de Post-rock formada em Montreal, fundada nos idos de 94. O grupo tem no mínimo vinte integrantes, que em alguns shows pode ser reduzido a nove no palco, contando com vários instrumentos além do comum “baixo-guitarra-bateria”, que incluem violinos, violencelos, naipe de metais e até o Glockenspiel, um xilofone mais requintado. Com cinco discos na carreira (sendo um EP), além de duas compilações, o Gy!be (chamado assim pelos seus integrantes e fãs) é uma banda influenciada pelas várias vertentes do rock (punk, rock progressivo), além da música clássica, jazz e o movimento cultural Avant-garde.

 O Godspeed You! Black Emperor vai além de uma banda “chata” de pós-rock. É uma orquestra apocalíptica que se utiliza de várias vertentes culturais e joga tudo num caldeirão, explodindo nos seus discos e shows. Eles flertam com novos idéias de entretenimento, tanto que em muitas de suas músicas, eles colocam samplers e gravações de pessoas falando, dando entrevistas, recitando poesias, além de efeitos sonoros (como um barulho de locomotiva). Prova disso é a música “Providence”, onde durante a música pode-se escutar um “preacher man” com sua pregação apocalítpica, ou em “Blaise Bailey Finnegan III”, que tem excertos de uma entrevista com o homem de mesmo nome.

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Se o “Juízo Final” tivesse uma trilha sonora, seria qualquer disco do GY!BE. Eles nos mostraram no final da década de 90 e na entrada do novo milênio que o rock como conhecíamos morreu, e que a salvação não era a música eletrônica emergente, mas sim uma outra forma de música e entretenimento, colocando influências diversas e fazendo uma coisa totalmente diferente.

Nos links abaixo vocês poderão sentir um pouco o que é o Godspeed You! Black Emperor.

No primeiro, vocês podem ouvir e fazer download de 6 músicas do grupo canadense.

Do álbum “debut”, F♯A♯∞ , temos  “The Dead Flag Blues” e “Providence”. Do EP Slow Riot for New Zerø Kanada, “Blaise Bailey Finnegan” e do último disco, Yanqui U.X.O., “Rockets Fall On Rocket Falls”. Há também músicas que saíram em compilações e raridade como “A Silver Mount Zion” e “Hung Over as the Queen in the Maida Vale”

Avulsas do GY!BE

No segundo link, vocês encontrarão o disco Lift Your Skinny Fists Like Antennas to Heaven.

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Lift Your Skinny Fists Like Antennas to Heaven (2002)

O “Godspeed…” é uma banda de rock um pouco incomum. Fato disso são as músicas, pois além de colocar efeitos sonoros e excertos de falas, as próprias são muito longas, sendo q ue algumas chegam a beira dos trinta minutos. Uma idéia que eles pegaram da música erudita é a fragmentação de uma música em vários trechos menores, chamados de “movimentos”. O disco “Lift Your Skinny Fists…” só tem quatro músicas, mas tem quase noventa minutos de duração e é duplo. Todas as quatro músicas foram fragmentadas e cada movimento tem um título. Abaixo você pode ver o título e o subtítulo das músicas na sua ordem:

Disc one

  1. “Storm” – 22:32
    • “Lift Yr. Skinny Fists, Like Antennas to Heaven…” – 6:15
    • “Gathering Storm/Il Pleut à Mourir [+Clatters Like Worry]” – 11:10
    • “‘Welcome to Barco AM/PM…’ [L.A.X.; 5/14/00]” – 1:15
    • “Cancer Towers on Holy Road Hi-Way” – 3:52
  2. “Static” – 22:35
    • “Terrible Canyons of Static” – 3:34
    • “Atomic Clock.” – 1:09
    • “Chart #3” – 2:39
    • “World Police and Friendly Fire” – 9:48
    • “[…+The Buildings They Are Sleeping Now]” – 5:25

Disc two

  1. “Sleep” – 23:17
    • “Murray Ostril: ‘…They Don’t Sleep Anymore on the Beach…'” – 1:10
    • “Monheim” – 12:14
    • “Broken Windows, Locks of Love Pt. III.” – 9:53
  2. “Antennas to Heaven” – 18:57
    • “Moya Sings ‘Baby-O’…” – 1:00
    • “Edgyswingsetacid” – 0:58
    • “[Glockenspiel Duet Recorded on a Campsite In Rhinebeck, N.Y.]” – 0:47
    • “‘Attention…Mon Ami…Fa-Lala-Lala-La-La…’ [55-St. Laurent]” – 1:18
    • “She Dreamt She Was a Bulldozer, She Dreamt She Was Alone in an Empty Field” – 9:43
    • “Deathkamp Drone” – 3:09
    • “[Antennas to Heaven…]” – 2:02

Bom…..se vocês acham que o Radiohead ou o Flaming Lips são os originais, que elevaram a música a um outro patamar, que sintetizaram o espírito decadente do fim dos anos 90….bem…então….vocês precisam rever seus conceitos musicais.

Em tempo…..o nome da banda veio de um filme japonês homônimo, de 1976.

Outra nota…..a música  “Hung Over as the Queen in Maida Vale” é uma junção de dois movimentos, “Monheim e “Chart #3”, e foi gravada no programa de rádio “John Peel Sessions”, da BBC inglesa.

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agosto 10, 2007 Posted by | Godspeed You! Black Emperor | 2 Comentários