Amigos, amigos….música a parte

Voltando à normalidade (ou não)…..Smashing Pumpkins – American Gothic

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Mal 2008 começou e já temos bandas lançando material novo. Um desses lançamentos é o novo EP do Smashing Pumpkins, gravado em dezembro de 2007 e lançado dia 1º de janeiro, há poucos dias atrás. “American Gothic”, título da bolachinha, vem com quatro músicas, sobras de estúdio e composições que não entraram em “Zeitgeist”, último álbum da empreitada de Billy Corgan.

Apesar do nome sombrio, esse disco não tem nada de gótico, pelo contrário, são músicas acústicas que nos remetem aos velhos e bons tempos de Smashing Pumpkins, de álbuns como “Siamese Dream” e “Mellon Collie and Infinite Sadness”. Das quatro, apenas “Pox” tem a levada do último álbum, com a diferença de ser uma canção que tem como base um violão, comparativamente leve em relação ao peso excessivo de “Zeitgeist”.  “Rose March”, que abre o EP, é uma baladinha aos moldes da época gloriosa e prolífica dos Pumpkins, “Again, Again, Again (The Crux)” poderia caber perfeitamente no álbum “Adore” e os cinco minutos e pouco de “Sunkissed” nos mostra que o carequinha egocêntrico “não perdeu a mão” e ainda tem traços de genialidade em composições.

Acompanhado somente de Jimmy Chamberlin, remanescente do antigo Smashing Pumpkins, na bateria (que também é um dos produtores do EP), Corgan gravou todas as sessões de guitarras, baixos, violões e teclados de “American Gothic”, assinando também como co-produtor. Roy Thomas Barker, que produziu “Zeitgeist”, participou também da confecção do disco. E esse EPzinho será comercializado somente na forma digital, pelo site de músicas iTunes (http://www.apple.com/itunes/) e no próprio site dos S.M está disponibilizado também a arte gráfica do disco (http://www.smashingpumpkins.com).

Se muita gente torceu o nariz ao ouvir “Zeitgeist” e achou o álbum de extremo mau-gosto, não parecendo nada com o que Billy Corgan e os Pumpkins costumavam fazer, talvez com a audição de “American Gothic” esse sentimento de fã traído possa esmaecer. Podemos dizer que com isso, o ano de 2008 começou muito bem

janeiro 24, 2008 Posted by | Uncategorized | , , | 1 Comentário

Beastie Boys – Check Your Head (1992)

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Um dos clássicos da década de 90, produzido pelo brasileiro Mario Caldato Jr., “Check Your Head” marca uma era, a começar pelos próprios Beastie Boys, que nesse disco voltam às origens punk, tocando todos os instrumentos no disco, fórmula que se repetirá daí em diante, em todos os ábuns do trio. Além disso, a bolacha marca também a primeira colaboração direta dos BB com Mario Caldato Jr., que permeará por todos os discos também.Em “Check Your Head”, o hip-hop maneiro dá o tom em “Pass the Mic”, “Jimmy James” e “So What’cha Want”, mas não faltam o suíngue e a música negra americana (soul, jazz e funk) em “Funky Boss” e “Professor Booty” e o hardcore clássico “das antigas” “Time for Livin”, relembrando aos Beastie Boys sua formação como banda, além das famosas músicas instrumentais. Enfim, esse álbum de 92 delimita o processo de fazer música do grupo nova-iorquino, o começo do trabalho sério que eles farão até o último álbum “The Mix-Up”

Se em “Paul’s Boutique”, o ar engraçadinho se acaba e as raízes do hip-hop são flertadas, em “Check Your Head” há uma eovlução musical imensa e elimina-se totalmente a pecha que os tornaram famosos no primeiro álbum “Licensed to Ill”. Os Beastie Boys não são mais os garotinhos brancos e judeus que querem bancar de rapper, agora eles são os próprios.

Músicas:

01. Jimmy James
02. Funky Boss
03. Pass The Mic
04. Gratitude
05. Lighten Up
06. Finger Lickin’ Good
07. So What’cha Want
08. The Biz Vs The Nuge
09. Time For Livin’
10. Something’s Got To Give
11. The Blue Nun
12. Stand Together
13. Pow
14. The Maestro
15. Groove Holmes
16. Live At P.J.’s
17. Mark On The Bus
18. Professor Booty
19. In 3’s
20. Namaste

Link para download

dezembro 15, 2007 Posted by | Beastie Boys, Check Your Head | , , | 2 Comentários

E mais um Goiânia Noise se foi….

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E mais uma edição do Goiânia Noise Festival foi feita. Foi praticamente uma semana em que a cidade respirou música. Já na terça-feira dia 20, houve ciclos de palestras e debates no Centro Cultural Goiânia Ouro. Jornalistas do calibre de Ana Maria Bahiana, Sérgio Martins e José Flavio Jr. deram o ar de sua graça, discutindo sobre jornalismo musical feito no Brasil. Pessoas importantes ligadas à produção cultural como Sone Juliana (Rumos Música Itaú Cultural), apareceram também, para falar um pouquinho sobre o que está acontecendo em termos de música nesse Brasil varonil. Gente de outros países passaram pelos microfones do Goiânia Ouro, falando sobre os festivais que acontecem no Hemisfério Norte, com Jan Keymis, um dos organizadores do Pukkelpop Festival, que acontece anualmente na Bélgica, e Daniel Seligman, que faz o Pop Montreal no Canadá, evento que lançou e lança bandas canadenses, como Arcade Fire, The Dears, Feist e Broken Social Scene.

 

E deixando o falatório de lado, que o negócio é a prática, ou seja, música, às sete horas da noite (mas ainda era dia) o festival foi aberto pela goiana Mugo, e daí por diante foram várias horas de rock’n’roll bem tocado, de variados estilos, até o fechamento no domingo pelo internacionalmente conhecido Sepultura. Do folk-rock de Diego de Moraes, passando pelo experimentalismo da americana Battles, o pop do Pato Fu, chegando ao metal do Korzus foram três dias de pura diversão, com cerca de 40 bandas se revezando entre os dois palcos instalados no Centro Cultural Oscar Niemeyer.

Apesar dos sérios problemas técnicos de som e de acústica no Palácio da Música, onde estava o palco principal, que atrapalhou o brilho de bandas como The DT’s, Ecos Falsos, Pelvs e Superguidis, o balanço do festival foi positivo. Antigos estilos de rock revisitados e novos rumos musicais foram apresentados pra mais de mil pessoas que rondavam as dependências do centro cultural. Artistas consagrados dividiram palco com as novas sensações do rock independente, numa harmonia só vista em festivais assim, como o GNF.

Teve de tudo. Chuva torrencial no show do Motosierra, apresentação do novo guitarrista da Motherfish, catarse coletiva no blues-garage do chileno Perrosky, encenação erótica no Júpiter Maçã, cover do Clash feito pelo Mundo Livre S/A, tapas e cabelos engolidos na apresentação do Mechanics, drinque de vodca com refri servido numa panela durante o show do Wollongabbas, olhos arregalados durante a performance da Battles, metaleiros subindo ao palco, correndo de seguranças e dando incríveis “mosh” no show do Sepultura.

Assim, a 13º Edição do Goiânia Noise Festival entra definitivamente nos anais da música independente nacional e no rol dos melhores festivais de músicas que acontece no país, fazendo com que Goiânia perca absolutamente o rótulo de “Capital do Sertanejo”, para ser uma das cidades mais fervilhantes em termos de produção cultural e musical desse Brasil. Que venha mais ano que vem.

 


novembro 28, 2007 Posted by | Goiânia Noise, Mundo Livre S/A, The Battles, The DT's | Deixe um comentário

I don’t believe him! He’s a liar!

Até que alguém me prove o contrário, ainda acho a maior picaretagem do mundo a “volta” dos Pumpkins. Sempre achei, desde o anúncio do “dito retorno” pelo próprio Billy Corgan. Escutei “Tarantula” (o single com a Paris Hilton na capa) e comprovei, ISSO NÃO
É SMASHING PUMPKINS!!! Desisti de ouvir o disco “Zeitgeist” pela música de trabalho…talvez eu ouça…só pra corroborar minhas teorias.

Vão, podem falar que sou indie, saudosista, o que for. Mas nada me faz tirar da cabeça que essa volta dos S.M. foi mais uma jogada de marketing arquitetada pelo senhor fanfarrão Corgan, aproveitando a onda “revival” que assola o mundo musical de hoje (ATÉ O ZEPPELIN VOLTOU!!), pra alcançar verdadeiramente as portas do sucesso, já que da primeira vez o Nirvana roubou a cena como “hype”, da segunda Christina Aguilera vendeu mais discos que os Pumpkins, e da terceira o New Metal sugou as chances egocêntricas de Corgan emplacar.

E outra…volta do Smashing Pumpkins só com vocalista e baterista como membros originais?!? Se a D’arcy e o Iha nao conversam mais com Corgan e não querem mais tocar com ele, não seria melhor, menos embaraçoso e mais discreto deixar o ego de lado (swallow the pride) e dizer: “Ok, vamos conversar, eu me desculpo (oh ingenuidade), e se vcs não querem reviver a banda, então os Pumpkins estão enterrados com pá de cal, só vou chamar meu chapa Chamberlain e montar outro projeto”. Seria menos vergonhoso pra todo mundo (principalmente para os fãs) se ele, Corgan Todo-Poderoso, deixasse de dar “murro em faca de ponta”, fizesse análise freudiana pra resolver seus conflitos internos e livrá-lo definitivamente dessa megalomania paranóica de querer atingir as massas. A volta dos Pumpkins é claramente a última tentativa dele, Corgan, de ser aclamado. A questão é: OU VOLTA COM TODOS OS MEMBROS ORIGINAIS OU DEIXA DE LADO. Chame de outra coisa que não seja Smashing Pumpkins, não maculem o nome, please.

É uma enganação das maiores você retornar uma banda emblemática como os Pumpkins, sem dois principais membros colaboradores do trabalho, fazendo um estilo de som que definitivamente não é a cara do grupo (produtor do The Darkness?!?), e ainda vender esse produto com a maior badalação e marketing possível. Será que eles pensam que o pessoal é tão trouxa assim?!? Às vezes eu acho que eles subestimam a capacidade de raciocínio com razão. O que dizer de um cara que não suporta heavy metal, “gostar” dos riffs pesadíssimos de “Tarantula”?!? Mas, pelo menos eu tenho um pouco de massa cerebral pra definir isso tudo com uma ludibriação das melhores

O maior fiasco do ano é todo mundo acreditar (fã, jornalista, produtor, descolado de plantão) e badalar essa balela que é o retorno da banda. No mais é “meia volta, volver”!

“Out on tour with Smashing Pumpkins
Nature kids
I/they don’t have no function I dont understand a word they say
And I could really give a fuck”

Pavement – “Range Life”

novembro 23, 2007 Posted by | Uncategorized | , , | Deixe um comentário

Estado de torpor

E sabem o que é pior? É que todo mundo vê o que acontece, mas fecha os olhos diante da realidade. Ou o roqueiro goiano é muito tapado, ou sabe do que está acontecendo e não quer saber, ou simplesmente é subserviente porque é amigo de tal pessoa importante da “imprensa cultural” e de banda da cidade, e não quer ficar “de mal” com essa gente. Aí, temos um caso sério de “boa decência”, em que os críticos e reclamões são constantemente rechaçados pela maioria burra, pelo fato de expôr uma outra realidade frente a verdade absoluta que é o movimento rock goiano. E quando falo reclamar, não é querer ser chato, mas dar uma luz à tudo ao redor, e quando falo criticar, não é simplesmente falar mal pelos cotovelos, e sim fazer o povo refletir, fazer auto-crítica.

Aliás, o rock goiano passa por uma fase boa, mas que na verdade é bem maquiada por algumas pessoas que detém o poder. E quando eu falo “detém o poder”, são os organizadores, produtores, bandas, jornalistas e blogueiros que obtém a informação, mas repassa ao público de maneira torta, e aí muita gente acredita nessas coisas, mas que não passam de balelas superficiais. Chegamos numa época em que uma banda para se tornar “famosa” na cidade, precisa se humilhar publicamente na frente de donos de selos por um espaço num festival ou um cd gravado, ou precisa fazer “os contatos” certos e se tornar amiguinho da imprensa cultural local pra se fazer importante. Bom, se antigamente bastaria um grupo musical tocar e o público aprovar, pronto, taí o tal “sucesso”….hoje não basta isso, tem que fazer marketing pessoal, marketing da banda, além de entregar a demo, babar o ovo de quem merece ou não merece, pelo fato de você não admirar a pessoa em questão, mas é que fazendo isso, você está com a faca e o queijo na mão em questão de contatos. Ninguém monta mais banda pelo simples prazer de tocar, fazer música e fazer shows por aí, todo mundo agora monta banda porque “tá na moda”, e “se eu fizer esse tipo de som tal selo importante da cidade irá me contratar” e outras pequenices mais.

Então, querem um exemplo de pequenice. Uns caras montam um projeto electro-rock, “bombam” em Goiânia, gravam um cd por um selo goiano, ficam um ano fazendo shows nos palcos locais, tocam nos principais festivais da cidade, e recebem elogios rasgados da crítica e começam a fazer shows fora do estado natal, com seu som um pouco “datado”, mas “dançante” e hype (porque todo mundo fala que gosta), e pouco importa se é um som chupado de um dj famoso das gringas, ninguém percebe a picaretagem mesmo…..Só que um ano e meio depois, o grupo se separa, alegam divergências musicas (mas na verdade alguém comeu a namorada de alguém), e que não dá pra continuar desse jeito. Ou a banda tem um pensamento medíocre de “estourar” só na região natal, ou é um caso de burrice musical e falta de criatividade. Na maioria das vezes é a primeira opção, e a gente daqui de Goiânia, vemos muitas bandas assim, medíocres só por deturparem o “sentimento de montar uma banda por gostar de música”, e se querem e podem tocar no RS, SP, RJ, Curitiba e Salvador, porque não vão? Não me digam que é por falta de contato e falta de grana, que não cola. Interessante que essas bandas só ficam no rodízio de intercâmbio de produtores locais e de outros estados, no estilo “eu levo uma banda pro seu estado, que você traz uma banda pra cá”. Pôrra gente, pensem grande (Alckmin style).

Aliás, essa onda nova agora, além do eixo SP-RJ, de intercâmbio de bandas de estados diferentes como PA, BA, RR, AM, MT, dentre outros, tem dois lados da moeda. Por  um lado é bom porque dá oportunidade a várias bandas legais, que não teriam outra oportunidade a não ser essa, de viajar e tocar pra público diferente em festival. O lado ruim é que daqui a pouco a tendência é ser “outro eixo do mal”(se já não tá virando), uma dicotomia perigosa, em que as bandas são as mesmas, os estilos musicais são os mesmos, as mesmas pessoas. E muita gente boa do Rio ou São Paulo fica de fora, pelo fato de serem paulistas e cariocas, e o pensamento é de que eles não precisam de oportunidades dos produtores da instituição nacional (menos RJ-SP), já que estão no meio certo pra se deslancharem….e bandas de estilos que não sejam stoner, electro ou powerpop, podem ser relegadas a segundo plano, porque não são o novo “Daniel Belleza e os Corações em Fúria”, ou fazem um som muito estranho pro público aceitar, não têm o apelo “pop”. Essas instituições estão se tornando “mainstream”, e o que é pior, pregando a bandeira independente. E quando falo “mainstream”, é na sua forma mais cruel, onde interesses escusos são mais fortes que o tesão pela música, e que as bandas estão em segundo plano, seguindo a ideologia “a gente precisa de gravadora ou produtora de shows”, quando na verdade é justamente o contrário, são as gravadoras e produtoras que precisam das bandas, mas o grau de subversiência não permite a analogia crítica, e se têm a crítica, é melhor não falar, porque corre o risco de quebrar a cara no meio. Cara, estamos no século XXI, era digital, do mp3, do myspace, orkut, fotolog e tramavirtual….será que ainda precisamos da velha fórmula e relação “gravadora-banda”, mesmo sendo gravadora independente? A Calypso está aí pra mostrar que se pode fazer música de forma totalmente independente e ainda ganhar dinheiro, e no meio rock, existem várias bandas por aí que não necessitam de gravadora (Fresno te diz alguma coisa?). O rock independente pode se dar bem, sem se tornar “mainstream” na sua mais vil forma, a da manipulação.

Será que é tão difícil enxergar essas coisas? Ou a galera está em um grau de êxtase ou torpor, que impossibilita de enxergar a real de tudo isso, ou será que as pessoas estão com medo de criticar? Será que tem que existir algum blogueiro, jornalista, colunista ou alguém de bom-senso pra polemizar a parada na internet e dar uma acordada geral no pessoal com um tapa na cara? Será que ninguém sabe o que é auto-crítica, e principalmente, a auto crítica da cena roqueira independente goiana? Será que ainda terei que ler bobagens escritas no orkut, do tipo “fiasco é pra quem não sabe aproveitar”? Será que ainda aguentarei acessos de egocentrismo e megalomania de certas pessoas aqui em Goiânia Rock City?

Na verdade, acho que a maioria das pessoas são burras, porque querem, e  é mais cômodo.

outubro 31, 2007 Posted by | Uncategorized | 3 Comentários

Voltei a escrever, fazia tempo que não entrava nessa bagaça né?

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Prometo que daqui por diante escrevo regularmente, ou quando algum assunto interessante vier à tona. E vim aqui justamente para colocar à diposição o disco novo de uma das melhores bandas suecas que já existiram (não….não é o ABBA). Há algum tempo atrás, estava ouvindo os dois primeiros discos do The Hives e me perguntei: “porra, taí uns caras que estão sumidos, aonde eles se enfiaram?”. A resposta veio em agosto desse ano com o lançamento de um single, chamado “Tick Tick Boom”. A primeira audição dessa música foi meio que um choque, porque eles mantiam a pegada punk característica dos álbuns anteriores, mas podia perceber-se alguns lances novos, influências diferentes além da tríade “Ramones-The Clash-Sex Pistols”. Se no álbum Tyranossaurus Hives, a estética garageira foi o centro das atenções, o single Tick Tick Boom já mostrava o que estava por vir nesse novo disco. E dito e feito.

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“The Black and White Album” foi lançado em outubro, e mostra um The Hives diferente. Uma banda madura, mas com o mesmo espírito juvenil dos primeiros discos. Madura, porque o som não se limita a três acordes e rapidez do punk, e a estética suja garageira, vai um pouco mais além. É claro que esses dois estilos estão presentes no disco, mas a banda flerta com o jazz big band e a música vaudeville (Well Allright!), a levada e batida disco (T.H.E.H.I.V.E.S.), o post-punk com o baixo e bateria marcante (Bigger Hole To Fill) e tem até uma pitada eletrônica na parada (Giddy Up). Um disco bem diversificado, seguindo uma tendência “new rock” de bandas como Bloc Party, Franz Ferdinand e Kings of Leon, ou seja, reciclar o rock de antigamente com uma roupagem nova. A diferença é que o The Hives faz com uma responsabilidade poucas vezes vista.

Tendo em vista quem fez a produção de “The Black and White Album”, podemos perceber que eles utilizaram bem o potencial da banda, além de deixar a criatividade dos caras à vontade, só dando uns toques importantes no som deles, para deixar atual. Além dos próprios Hives produzirem, Jacknife Lee (Editors, Bloc Party, Snow Patrol) e Dennis Herring (Modest Mouse, Elvis Costello, Camper Van Beethoven e Counting Crows) participaram do processo. Mas a grande surpresa é a dupla The Neptunes, famosa pelos trabalhos com o eletrônico e o hip-hop, que também deram uma mãozinha nesse disco, perceptível em músicas como T.H.E.H.I.V.E.S. e Giddy Up.

“The Black and White Album” não é o melhor disco dos Hives, mas com certeza é um disco pra se curtir de cabo a rabo, colocar numa festa e dançar até se acabar. As influências punk estão presentes, mas se ouvir com clareza há ali The Fall, The Sonics, The Stooges, MC5 e bandas nuggets dos anos 60, inseridas harmoniosamente. Posso colocar esse disco nos dez melhores desse ano, com certeza.

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The Hives – The Black And White Album

outubro 29, 2007 Posted by | The Hives, The Neptunes | 1 Comentário

Há luz no fim do túnel de Seattle

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Em meio a bandas que consagram o virtuosismo instrumental, considerado por alguns o máximo da chatice e punhetagem, e outras tantas que cultivam o jeito Wolfmather de ser, ou seja, uma pitada de hard rock dos anos 70 e o jeito “cool” do stoner rock e “new rock”, existem grupos que fazem a gente pensar “putz, há luz no fim do túnel, afinal”.

Uma dessas bandas é o Kinski, vindo de Seattle….isso mesmo, a cidade natal de Jimi Hendrix, e que na década de 90 ficou conhecida pelo boom que modificou os rumos da música rock, o grunge. Formado em 1998 e com seis discos na bagagem, o Kinski é um dos carros-chefes do famoso selo independente Subpop, fazendo um rock instrumental vigoroso e experimental, cheio de “guitarradas”, solos comedidos mas eficientes, com um som influenciado por várias vertentes da música, chamando a atenção pela desconstrução, comum em suas canções, dando um novo sopro de vida ao post-rock. Em suas músicas, podemos observar cada banda que influencia e dita o ritmo do Kinski, mas de certa forma eles misturam as influências, fazendo uma coisa totalmente renovadora e interessante.

Eles acabam de lançar o álbum “Down Below It’s Chaos”, mas não é esse o disco que irei colocar aqui para download, e sim o anterior, o fantástico “Alpine Static”, lançado em 2005, e que mostra que o instrumental não é só jazz ou Vangelis“Hot Stenographer” e não é o virtuosismo progressivo de alguns grupos por aí. Recomendo as músicas , que abre o disco, além dos petardos “The Wives of Artie Shaw” e “Hiding Drugs in the Temple (Part 2)”, e se você quiser um pouco de experimentação, as boas pedidas são “The Snowy Parts of Scandinavia” e “Spacelaunch for Frenchie”.

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Kinski – Alpine Static

outubro 2, 2007 Posted by | Kinski, post-rock, Seattle, Subpop | Deixe um comentário

a dança do salmão

Os Chemical Brothers acabam de lançar seu novo disco, chamado “We Are The Night”, e o segundo single deles se chama “The Salmon Dance”, um big beat com o rapperFatlip nos vocais. O clipe é um dos mais legais que já vi nos últimos tempos, e a música, boa como só os “irmãos químicos” sabem fazer. Dêem uma sacada aí:

setembro 27, 2007 Posted by | Uncategorized | , | 2 Comentários

They don’t exist

Uma das piores coisas que se podem acontecer com uma banda é um jornalista ou um blogueiro não citá-la em um artigo ou post, principalmente quando se é um festival e a própria fecha a noite. tudo bem que o referido foi embora mais cedo e não viu a banda, tava com preguiça e não quis assistir, ou a banda é “desconhecida”, não faz parte de gravadora e não é “amiguinha” do cara que escreveu a resenha, ou não faz o tipo de som que agrada…… foda-se, mas pelo menos alguma linha, falando bem ou mal, teria que ser escrita.

Imagina, cinco grupos musicais tocam numa noite, o blogueiro escreve sobre quatro, e “esquece” a última….não é “ranço”, ou despeito, ou inveja, ou se achar demais…porra…..alguma coisa tá errada aí. Ainda mais quando é um cara de respeito na cena musical, tem banda, escreve em revista importante, faz programa de rádio e o escambau, e simplesmente não fala nada a respeito da última banda que toca numa quinta-feira a uma hora da manhã e que faz um som post-rock único em Goiânia. Qual que é o problema? O que há de errado com o resenhista? O que há de errado com a banda? Ele não gosta do som? A banda não é “amiga” dele? A banda não faz parte da cena roqueira goiana? A banda não é de gravadora independente? Será que os caras da banda são tão insignificantes assim que não merecem nem uma linha na “resenha” do tal blogueiro?

É…tantas perguntas e respostas as quais não cabe escrever aqui, porque uma pessoa com um mínimo de inteligência e frequentadora da cena rocker goiana sabe a verdade…né não?

E a banda referida continua a seguir o seu ritmo, sem pagar pau pra caras de gravadora independente, ser amiguinha de resenhistas e blogueiro, e metendo o dedo na ferida de certas pessoas e movimentos.

/ao som de Lambhcop “Crackers”

setembro 24, 2007 Posted by | Uncategorized | | 2 Comentários

Goiânia Noise Festival divulga primeiras atrações

Dizem que 13 é um número que dá azar. Será? No caso do Goiânia Noise Festival, certamente é um número mágico. Afinal de contas essa é provavelmente a edição mais sensacional do evento até hoje. Com exclusividade para a TramaVirtual, a equipe do Noise cedeu alguns dos nomes que se apresentarão no festival.

O primeiro deles é o Battles, grupo norte-americano de math rock que lançou esse ano o ótimo Mirrored, seu primeiro trabalho oficial. A apresentação da banda deve deixar todo mundo boquiaberto, já que o quarteto faz um som poderoso o qual não dá pra ficar indiferente. The Legendary Tigerman, projeto-de-um-homem-só do português Paulo Furtado, já tocou no Abril Pro Rock em 2005 e agora volta ao Brasil para mostrar que apenas um sujeito é suficiente pra fazer boa música.

Outro nome que marcará presença na 13ª do Goiânia Noise é o duo chileno Perrosky, com seu folk de garagem que foi sucesso na última Bafim, a Feira Internacional da Música de Buenos Aires, na Argentina. Dos Estados Unidos vem a banda The DTs, que mescla rock dos anos 70 com música negra. Certamente não decepcionará as adeptos da jaqueta de couro.

Dono de ótimas composições pop, o argertino Sebastian Rubin chega ao Brasil para provar que nem só de rock vive seu país. Ele lançou em 2007 o disco Esperando el Fim Del Mundo e desembarca por aqui com sua banda, Los Subtitulados.

Mas os roqueiros de plantão podem ficar tranqüilos: os uruguaios do Motosierra também tocarão no Noise desse ano. O quarteto, que costuma se apresentar bastante no sudeste do país, se apresenta pela primeira vez em Goiânia. Fechando essa lista inicial de 10 nomes estão os ótimos MQN, Mechanics, Ecos Falsos e Mundo Livre S/A.

Serviço

13º Goiânia Noise Festival
23 a 25 de novembro

Para mais informações acesse: www.goianianoisefestival.com.br

Retirado do Tramavirtual (http://www.tramavirtual.com.br)

setembro 17, 2007 Posted by | Goiânia Noise, math rock, Mundo Livre S/A, The Battles, The DT's | 1 Comentário