E viva a demência musical!
Nesses tempos de bandas “revival” dos anos 70 e 80, grupos que prezam a batida eletrônica com letras em inglês, misturado com um rock de fácil digestão, é sempre um prazer ver caras tocando aquilo que quer, fazendo uma música diferente, com uma orginalidade absurda, sem se importar com rótulos e sucesso “underground” e radiofônico. Seria muito fácil montar uma banda de “stoner rock” ou “emocore” (porque é isso que faz a cabeça das pessoas) pré-fabricada…mas e a sinceridade….onde fica? Então quando eu vejo bandas com um som diferente do comum, eu me emociono.
E foi com essa emoção que eu assisti dois shows ontem no primeiro dia do Festival Vaca Amarela, dois grupos com tamanha demência, mas ao mesmo tempo genial na arte de fazer música. O primeiro é o Trilobit, quarteto paranaense, que faz um som instrumental calcado no funk, surf music e rock básico, com um adicional, um dj que insere maluquices ao som, falas e barulhos bizarros. A influência de Man or Astroman é clara, com alusões a ficção científica e filmes de terror B, além de usarem macacões no palco, lanternas na cabeça (daquelas que mineiros e quem vai em cavernas usam) e nomes bizarros, inclusive o baixista veste uma fantasia de gorila no palco. Mas o Trilobit vai mais além dessa estética marciana, e faz um som bastante dançante, divertido e interessante, que vai além dos rótulos de electro-rock, tão em voga nos dias de hoje.
Fiquei boquiaberto também com o Satanique Samba Trio, a segunda banda dessa resenha. Esse foi o segundo show desse grupo de Brasília que eu vejo, e nas duas vezes eu fiquei estupefato. Formado em 2004 e com dois discos na bagagem, o Satanique é uma daquelas bandas que fazem dar um nó na sua cabeça, com um som muito diferente do usual. Pegando o samba como mote e desconstruindo-o totalmente de forma desconcertante, esse grupo conta com um guitarrista, um baixista, um baterista ao estilo dos grandes do jazz, um cara no cavaquinho com um pé na distorção (literalmente) e outro nos instrumentos de sopro (sax e clarineta). O samba é a inspiração, mas Karlheinz Stockhausen, Vanguarda Paulista, Hermeto Pascoal, o jazz, a música minimalista do século XX e a composição atonal são as referências para fazer uma música demente, “burra” e hipnótica desse grupo candango.
É por essa e outras bandas que eu ainda acredito na música e nos festivais, onde a gente muita coisa que pode se jogar fora, mas uma ou outra você abraça com veemência.
E VIVA A DEMÊNCIA MUSICAL!
ao som de Cartola - Grande Deus
2 Comentários »
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aí estão duas bandas excelentes. vida longa ao samba satânico!
oi cara! só fui ver agora essa resenha!
sou guitarrista do trilöbit!
valeu mano! e viva a demência musical! hashahhahhah